segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Início das aulas



Paralelamente à praxe, ocorre o inicio das aulas. Nesta altura acontecem muitas desistências, mudanças de curso e algumas desilusões com o curso escolhido/admitido.

Para aqueles que ficam no seu curso, tenham cuidado pois na faculdade existe uma espécie predadora: os professores! Esta espécie, fisicamente, muito parecida com o estudante procura, numa fase inicial, agitar os estudantes para melhor os caçar. Os professores comem estudantes ao pequeno-almoço e os que são mais gorduchos comem outro ao jantar!

Com algum recuo, e excetuando os professores que, de facto, são autênticos canibais que foram para o ensino para melhor torturar as mentes dos novos estudantes, penso que os professores procuram distinguir, desde cedo, quais os alunos que podem evoluir dos que estão apenas a adiar o fim da alegria de uma vida estudantil.

Professores à parte, não se sintam menos inteligentes que os outros estudantes porque nas aulas teóricas ouvem umas vozes, geralmente no inicio da sala, que respondem às perguntas dos professores como se fosse um jogo de pingue pong. Perguntas que vocês não fazem ideia do que se tratava se, se calhar, em dos significados das palavras. Esse alunos não são génios, é só que à 3a ou 4a vez, torna-se mais fácil responder.

Demorei 2 meses a aperceber-me que não era o pior aluno de sempre da minha faculdade! Afinal o polaco que estava cá em Erasmus e, por acaso, não falava português ainda era pior! Quando chegaram os exames, ai percebi que nem eu nem ele éramos assim tão maus. “Então.. os tipos que respondem as perguntas do professor <<alcunha-atribuída-ao-professor-cujo-conteúdo-implicaria-a-remoção-deste-post>> reprovaram?!”*

Para dar um exemplo pratico daquilo que referi no paragrafo anterior: no meu 2° ou 3° ano de faculdade, tive uma aula cujo tempo todo serviu para discutir determinado assunto “a” e um aluno pingue pong passou o tempo todo a responder ao professor <a-a-a-p-c-c-i-a-r-d-p-2>. Nos últimos 10 mins o professor introduz-nos o conteúdo “b” da próxima aula. Nesta altura da-se um dos momentos mais bizarros da minha vida de aulas teóricas, o aluno pingue pong pergunta ao professor quando é que iríamos falar do assunto “a” -.- .

*Quero explicar a pequena frase estranha que podem ter lido na frase, A partit da faculdade, deixa-se de dizer “stor” e passa-se a dizer “professor”. Dai os apresentadores dos telejornais chamarem pelos professores e não pelos stores aquando da entrevista :).

É preciso estudar um pouquinho, deixar de ver um ou outro programa tardio e interessantíssimo da rtp2 e as coisas tornam-se bem mais fáceis ;).

Até breve

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Praxe


A praxe é um dos muitos rituais do estudante. Este ritual é necessário para a compreensão e integraçao do caloiro na sua nova vida.

Eu fui praxado mas, a praxe não era tão engraçada como noutras faculdades ou mesmo noutros cursos dai não ter optado pela ascensão de caloiro a doutor.

A praxe é excelente para conhecer pessoas que vos podem ajudar e serem ajudados na integração neste novo mundo mas, se não estiverem a gostar não se sintam obrigados a continuar. Existem estudantes que, pelas mais variadas razoes, têm tendência a exagerar nas suas atitudes como “doutores”. Mas, por sorte, existem muitos mais “doutores” com sentido de humor e muita imaginação que tornam a praxe num momento excelente! Contudo este ritual não é nem pretende ser uma “Tea Party”. Quem é o estudante que nunca comeu o almoço na cantina com apenas uma colher de sobremesa ou faca ou, então, que nunca desceu um jardim... às cambalhotas? É preciso sofrer um bocadinho para poder aproveitar depois!

Pessoalmente acho que os momentos míticos da minha praxe foram os que passamos nas ruas da cidade a cantar pela nossa faculdade, enquanto outros caloiros, na rua oposta cantavam pela sua.

A praxe tem os seus momentos, se me permitem dar-vos uns conselhos, estejam atentos com quem e sobretudo do que falam e não assumam todos os significados à letra :)!
A praxe, contudo, não deve ser tomado como uma obrigação. Os meus melhores amigos foram pessoas que fui conhecendo ao longo do licenciatura e não necessariamente na praxe.

Sejam vocês próprios, tenham sentido de humor e vão gostar da praxe!

Até breve

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Questões do nosso tempo

O Post anterior trouxe-me curiosidade por várias questões interessantes..
  •    Quais são as desculpas que vocês mais arranjavam (ou arranjam) e quais as mais incríveis desculpas que vocês conhecem para não estudar em épocas de exames?
  •  Atum com massa e tomate, atum com massa e queijo, arroz com atum.. Alguém se lembra de mais tipos de pratos de "Nouvelle Cuisine" que se conseguem com uma lata de atum?
  •   Alguém se lembra de outras desculpas engraçadas sobre o fenómeno da loiça suja? 

Vida em casa de estudantes

Vou começar este segundo post com alguns fenómenos que ocorrem nas casas dos estudantes.
Em praticamente todas as casas de estudantes existem uns artigos de decoração pendurados, normalmente na cozinha: as listas da limpeza!
Quem é que nunca foi agraciado com uma bela tabela de cores com os vários nomes dos moradores daquela casa e com algumas frases que não fazem qualquer sentido naquela casa :“limpar WC”, “limpar sala”? Que bela peça de decoração! 
Durante a fase de aulas, o estudante comum tem tantos trabalhos, aulas e... programas de TV tardios para ver que tem de deixar alguma coisa para trás: as tais actividades associadas à uma qualquer semana do ano e ao seu próprio nome.
"Que raio significa este número associado ao meu nome e à frase 'limpar WC'?!"
Estou a ser injusto! O estudante quer limpar! O estudante, mal tenha um pouco de tempo livre, recupera todo o tempo perdido em trabalhos, ressacas e programas tardios da TV para focar-se na limpeza. Quando as aulas acabam para dar lugar ao período de exames, entre o acordar tardio e os programas de TV tardios, o estudante aproveita cada minuto para limpar! O estudante limpa sim, só que não tem tempo para isso.. É que na rtp2 dá tanto programa bom a partir das 2h da manhã…

Bem, mas esquecendo as tabelas de limpeza, eu presenciei fenómenos paranormais. Se não é actividade paranormal então é geração espontânea: a loiça da casa que se suja sozinha. O estudante só tem um prato, um garfo, uma faca e os mais agraciados, uma colher de sopa e uma panela! Quando decidem cozinhar (atum com massa costuma ser o prato preferido ) e verificam que não têm logística dispónivel, desanimam. Todos sofrem com esta ocorrência, mais tarde ou mais cedo, e tentam então perceber como ocorreu aquilo e investigam junto aos seus colegas de casa. 

-"Artista por acaso usaste  a minha loiça para o jantar de à 3 dias atrás?" 
-“Oh páh, eu não comi cá”, 
-“Eu comi no meu prato e já está arrumado e tudo.. ali ao fundo, debaixo daqueles pratos e panelas equivalentes a semanas de loiça, ali à esquerda, aqueles pratos ainda com o plástico por abrir”, 
-“Oh páh, eu não uso pratos.. nem garfos.. nem sei o que isso é”.

 Já ouvimos de tudo, e temos de admitir, os estudantes são tipos inteligentes, com imensa imaginação e sentido de humor.
Para acabar com a noção de que o estudante é um tipo que não liga a  a valores nobres como cuidar da natureza venho mostrar que nas casas de estudantes também se cultiva: várias espécies Botânicas a algumas plantas engraçadas :)!

Até Breve

domingo, 30 de janeiro de 2011

Introdução

Eu considero-me um observador atento daquilo que me rodeia e portanto decidi apresentar aqui os resultado do meu maior estudo: a minha vida de estudante. Foram quase 20 anos de intenso estudo.. sobre o comportamento desta espécie não-rara: o estudante.
Um pouco como na teoria da evolução de Darwin, eu também estudei as mais diversas espécies.. Enquanto Darwin estudou tentilhoes, eu estudei marrões, desleixados e gozoes, enquanto ele foi para os Galápagos, eu vim para o Porto, enquanto ele viajou de Beagle eu viajei de intercidades! Mas eu não sou Darwin até porque não me chama Carlos.. sou apenas um ex-estudante que acha ser necessário criar um almanaque para classificar a espécie estudantil: as sub-espécies, o seu habitat, rituais e todas as relações que esta espécie desenvolve desde simbiose, parasitismo, predação entre outras..
Acreditem, as minhas conclusões mostram que esta espécie tem mostrado uma capacidade evolutiva incrível.
Ao longo de uma série de posts, com algum humor à mistura irei tentar, com a vossa ajuda, chegar aos mais diversos resultados e conclusões sobre o como, quando e porquê desta fantástica evolução..
Irei debater com vocês todas as sub-espécies que existem, de entre as quais irei precisar da vossa ajuda para descobrirmos qual ou quais as mais resistentes, ou seja, quais são aquelas que conseguem ser estudantes por mais tempo.. Porque uma das conclusões do meu estudo mostra que tal como as lagartas que se transformam em borboletas, os estudantes também sofrem uma transformação, as vezes simples de aceitar, outras vezes contra a própria vontade, para evoluir para outra espécie.. os licenciados.
Os próximos posts relatarão todas as sub-espécies, o habitat preferencial, os rituais, os predadores, as relações intra e inter-espécie.. e até alguns fenómenos paranormais apenas possíveis em casas habitadas por estudantes..
Até breve